#Geek10: Saídas para a DC no cinema!

#Geek10: Saídas para a DC no cinema!

Liga da Justiça chegou ao grande circuito internacional tem pouco mais de três semanas e não vem atingindo os resultados esperados em relação a crítica e bilheteria e apesar de ter batido recordes aqui no Brasil amarga até agora um desempenho doméstico decepcionante: é o filme do UDC de menor estreia até agora, com U$$ 96 milhões de dólares. Para termos uma ideia, o desempenho é inferior ao do primeiro Homem-Aranha – em 2002 – foi o primeiro filme a ultrapassar 100 milhões no final de semana. O risco de que o filme não consiga cobrir os custos de produção e marketing (algo em torno de 300 milhões de dólares) é alto.  A Warner aproveitou o último dia da Comic Con XP aqui no Brasil  para divulgar mais uma vez seu calendário de filmes, que por enquanto permanece o mesmo da Comic Con em San Diego.

Pensando em toda essa confusão, resolvemos pincelar dez saídas que o estúdio pode adotar para colocar as coisas num rumo mais tranquilo e finalmente desfrutar de dias mais calmos com seus fãs. Vamos a elas?

Reconhecer seus erros

Superman (Cavill) lamenta sua ação mais drástica em Homem de Aço

Não é mais segredo para ninguém que a Warner não obteve o que esperava ao dar a Zack Snyder as chaves de seu reino, com a bênção de Christopher Nolan, que após sua Trilogia com o Batman foi nomeado produtor executivo do estúdio. Com  o fracasso mais do que retumbate de Lanterna Verde (que buscava iniciar um universo compartilhado através do espaço) o diretor que começou com videoclipes musicais e foi elogiado por produções como 300 e Watchmen  e resolveu adotar um tom semelhante ao do colega de trabalho para o Superman – mais “sóbrio, realista e soturno”. Mas o que funcionou para o Homem-Morcego não se encaixou em O Homem de Aço ,  e o roteiro de David S Goyer ficou longe de representar a essência do maior de todos os heróis. Snyder então em mais de uma oportunidade desdenhou de quem não havia gostado do filme, dizendo que “não tinham entendido o personagem de verdade”. Porém foi com Batman v Superman: A Origem da Justiça que o caldo entornou e vimos um filme confuso que atirava para todos os lados tomando de forma superficial clássicos como O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller para vender uma briga que não durava nem dez minutos e muito mal encerrada através de um plot que até hoje faz a pessoa menos exigente arrancar cabelos. Ficou evidente que se tratavam de ombros estreitos demais para tamanha carga, e com isso as tensões entre Snyder e a Warner chegaram a um ponto alto. Após sérias discussões e mudanças de comando foi dado um ultimato ao diretor, que rodou LdJ sob marcação cerrada em Londres por cerca de um ano. Ainda assim o corte final  do filme – com pouco mais de três horas – foi considerado “inviável comercialmente” pelos executivos do estúdio e seu afastamento por uma tragédia familiar foi a deixa para que Joss Whedon refilmasse diversas partes em pouco menos de três meses, por um custo adicional de 25 milhões de dólares. O que vemos em tela é um filme bipolar e sem identidade, que mesmo com seus bons momentos sintetiza a falta de rumo que é a Warner atualmente.

 

Dar liberdade para os diretores e trabalhar em harmonia

Ayer conversa com Margot Robbie (Arlequina)

Esse é um grande problema que os criadores enfrentam em Hollywood e Liga da Justiça não foi a única produção da casa a contar com inúmeros problemas e divergências criativas. A versão do diretor David Ayer para Esquadrão Suicida foi totalmente reformulada por exigência dos executivos, o que acabou por resultar numa catástrofe cinematográfica do ponto de vista narrativo e técnico poucas vezes vista no circuito mundial, mas que ainda assim conseguiu uma bilheteria satisfatória (745 mihões de dólares) e um Oscar de Melhor Maquiagem (!).  Patty Jenkins por outro lado teve mais sorte em Mulher-Maravilha, que não por acaso é o filme mais bem sucedido do estúdio até aqui. Mais do que nunca se torna necessário que os executivos e cineastas precisam chegar a um denominador comum e não mudar de ideia em cima da hora repetidamente. Um planejamento é essencial, e neste momento a Warner não conta com isso.

Um adendo: Jared Leto reclamou em diversas entrevistas que gravou horas de cenas com seu Coringa e seu personagem no filme não tem nem quinze minutos de tela. Sinceramente, eu não achei ruim, pois o personagem dele em nada agrega…

Não mudar de planejamento em cima da hora

A continuação de Mulher-Maravilha já está sendo filmada e Aquaman com Jason Momoa segue em pós-produção, com direção de James Wan e estréia marcada pala dezembro do ano que vem. Shazam teve nomes como Zachary Quinto confirmados no elenco que já contava com Dwayne “The Rock” Johnson como seu inimigo Adão Negro, apesar da produção ainda não ter começado oficialmente e contará com a direção de David Sandberg. Por outro lado, Ben Affleck perdeu cada vez mais espaço dentro do DCU e não sabe se continua como Bruce Wayne/Batman, o filme solo do personagem será dirigido por Matt Reeves (Planeta dos Macacos), que já trabalha com a possibilidade de ter outro ator como protagonista. O filme do Flash perdeu seu terceiro diretor seguido, não tem roteirista e foi adiado. Com o desempenho insatisfatório de Liga da Justiça todos os demais longas anunciados até 2020 como Tropa dos Lanternas Verdes perigam não sair do papel no caso de mais um escorregão. Vendo franquias como Crepúsculo e Transformers que possuem o mesmo número de longas lançados até aqui – cinco – abocanharam muito mais dinheiro fica difícil não se espantar como um estúdio que detém personagens tão icônicos possa ter vacilado tanto…

Não ter vergonha de abraçar seu lado heroico, fantasioso e otimista

Crise nas Infinitas Terras: um marco da DC nos quadrinhos

Sagas épicas que são adoradas pelos fãs, como Crise nas Infinitas Terras, A Nova FronteiraJustiça, Crise de Identidade, Torre de Babel, O Reino do Amanhã, O Prego, Zero Hora... até mesmo crossover com os Vingadores nos quadrinhos já rolou, com direito ao Superman levantando ao mesmo tempo o escudo do Capitão América e o martelo do Thor. Algumas delas até vem sendo retratadas de forma honesta e criativa dentro de seus seriados – Arrow, Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow. Já vimos desde Ponto de Ignição – que servirá de base para o filme do Flash de Ezra Miller – até mesmo Terra X, exibida atualmente. A tática? Apresentar os personagens individualmente antes de colocá-los unidos contra uma ameaça em comum, com calma e avaliando cada passo. Nada de novo, certo? Então, por que a dificuldade? Talvez pela ânsia de oferecer produtos diferentes do que a Marvel Studios coloca no mercado a Warner tenha se perdido tanto no caminho.

Aprender a fazer blockbusters e respeitar seus personagens

Gadot e Jenkins: um êxito em todos os sentidos

Mulher-Maravilha é de longe o maior acerto da DC até agora. Além de críticas extremamente positivas o filme foi um arrasa-quarteirão comercialmente (mesmo sendo banido em alguns países) e hoje apresenta a maior bilheteria de uma adaptação de HQ’s já registrada dentro dos EUA, superando inclusive blockbusters como os dois Vingadores e Capitão América: Guerra Civil! Ainda que tenha sofrido algumas interferências dos produtores o taco de Patty Jenkins fez a diferença e ajudou Gal Gadot a dar vida a Princesa das Amazonas de forma tão carismática, trazendo todos os elementos que tornaram a personagem um ícone tão grande e as mulheres de todas as idades vestidas como a Princesa das Amazonas em todos os lugares do mundo reforçam a representatividade da heroína. E ainda tem-se um ótimo longa de aventura e que ainda destaca o surgimento de uma lenda e a luta de Diana contra uma sociedade assolada pela primeira guerra mundial, extremamente conservadora e machista – o que mudou de lá para cá?  Com um leque de histórias tão amplo basta a Warner olhar com mais carinho para a fonte, lotado de material fantástico só esperando pra ser adaptado. Quadrinhos são uma fonte praticamente inesgotável de boas histórias. Torna-se inevitável olhar para o lado e principalmente examinar o que a Marvel conseguiu com personagens não tão famosos como os Guardiões da Galáxia e Homem-Formiga, trabalhando-os em gêneros como comédia, aventura espacial e comédia.

Curiosidade: por falar em respeito aos personagens, David S. Goyer – aquele mesmo responsável pela bomba chamada Blade: Trinity (que escreveu Homem de Aço e o roteiro inicial de Batman v Superman) – numa entrevista com fãs americanos chegou a debochar do Caçador de Marte, Jon Jon’nzz – um dos personagens mais queridos dos fãs dos quadrinhos e disse que “quem gostava dele era virgem”. A reação da Warner? Dar ao cara o roteiro de  Tropa dos Lanternas Verdes e ainda talvez colocá-lo como diretor de um possível reboot para Mestres do Universo, com He-man & cia. Inacreditável…

Se curar da Bat-dependência

PREPARO!

Mais do que trazer novamente credibilidade comercial e artística a uma franquia que havia sido destruída antes por Joel Schumacher, Christopher Nolan elevou as adaptações de HQ a um novo nível com sua trilogia iniciada em 2005, a ponto de conseguir cravar um clássico incontestável como “O Cavaleiro das Trevas”, junto com Christian Bale, Heath Ledger e seu antológico Coringa. Entretanto, isso fez com que em diversas oportunidades dentro e fora das revistas Bruce Wayne contasse com uma boa vontade exagerada por conta dos roteiristas, derrotando até mesmo Darkseid! Inclusive criou-se uma lenda de que com preparo o personagem é capaz de fazer qualquer coisa. Existe mais um filme do personagem a caminho e Joss Whedon irá roteirizar e dirigir Batgirl.

Ok, mas e o resto de seus heróis?! Ao contrário da Marvel eles possuem direitos cinematográficos sobre todas as suas propriedades e na prática nada impede que construam um sólido universo compartilhado. Ou até mesmo lançar filmes sem conexão direta uns com os outros, desde que sejam bons…

Recomeçar. De novo!

Já que a tentativa de construir um mundo próprio parece ter naufragado mais uma vez, por que não? A própria Fox fez isso com X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, literamente apagando produções muito mal-recebidas e permitindo que bons títulos como Deadpool e Logan chegassem ao público. O filme do Flash Barry Allen ao que tudo indica adaptará Ponto de Ignição, saga que nos quadrinhos aborda as consequências diretas de uma viagem no tempo que ele fez para salvar a própria mãe, alterando drasticamente toda a realidade e que inclusive deu origem a uma excelente animação – área onde a DC dá aula em relação a qualidade. A medida foi usada algumas vezes nos quadrinhos para por ordem na casa e usar um arco conhecido pelos fãs para reposicionar seus longas futuros de forma mais estratégica pode ser uma excelente alternativa.

Se divertir durante o processo!

Herry Cavill surpreende Jared Leto e David Ayer no painel da DC durante um evento nos EUA. É esse o espírito!

Não basta mais fazer um bom filme no cinema atual, é preciso interagir o tempo todo com o público, compartilhar momentos da produção e mostrar que aquele de fato é um momento especial, dar um show. A Marvel se especializou nisso mesmo antes de ser uma gigante do entretenimento: já em 2008 fez uma réplica do Homem de Ferro voar em plena Comic Con e sempre fez com que seus atores e atrizes aparecessem juntos, fazendo brincadeiras e vídeos zoando a si mesmos e os filmes lançados (Team Thor em Guerra Civil, apenas). E esse processo foi decisivo para que se criasse uma relação entre eles e os fãs, fortalecendo a identidade do estúdio. Já  as coletivas de imprensa da Warner sobre os filmes da DC por alguns anos se caracterizaram por serem sérias, tensass e sem muita interação com o público. O painel de BvS na CC mostrou Henry Cavill, Ben Affleck e Gal Gadot juntos num palco de forma breve, tirando uma selfie e só, não fazendo jus ao peso histórico daquela reunião. Para Liga da Justiça o diretor Zack Snyder os trouxe novamente com a adição de Jason Momoa, Ray Fisher e o geek assumido Ezra Miller, vestido como Gandalf, de Senhor dos Anéis. A chegada destes três, – notórios zoadores e bastante carismáticos pode resultar na quebra de gelo necessária para que fique estabelecido que sim, diversão e otimismo fazem parte do pacote quando HQ’s são levadas ao cinema.

Aprender a se comunicar com o público e entender suas necessidades

Johns doido para trabalhar: esse sim entende das coisas!

Por falar em diversão e otimismo, grande parte do êxito da Marvel Studios se explica por conta de seu presidente, Kevin Feige, que antes de ser um competente homem de negócios é um fã apaixonado de HQ’s, que cresceu lendo as histórias e portanto conhece muito bem os personagens. Não é suficiente apenas o espectador que nunca leu uma revista ver o Capitão América com seu escudo num filme e se divertir, mas os leitores de longa data precisam se identificar com o personagem que tantas vezes viram nas revistas dentro de um produto que seja de confiança e ofereça uma boa história.  A Warner parece tentar algo semelhante ao criar a DC Films e nomear o escritor e roteirista Geoff Johns como vice-presidente, e ele já tratou de colocar as mangas de fora da maneira que pode, o que nos leva ao próximo tópico.

Um Superman mais super do que nunca

Deixem o Cavill voar e ser feliz, oras!

Homem de Aço apresentou o Superman com um viés mais científico com sua origem em Krypton e explorou as consequências de um semideus caminhar entre os humanos, com recepção mista por parte de público e crítica. Porém a cada filme lançado o Clark Kent de Henry Cavill se afastou mais e mais da população em geral, em alguns momentos parecendo até depressivo, sem entender o símbolo que carregava no peito. Em Liga da Justiça já se pode observar o Escoteiro próximo de sua essência clássica dos quadrinhos: mais heroico, otimista e ciente de seu papel como defensor dos fracos e oprimidos, a ponto de deixar a batalha contra Steppenwolf (Ciarán Hinds) para salvar civis russos, ao contrário do que ocorreu na luta com Zod (Michael Shannon), onde ele ignorava a enorme destruição ao seu redor para beijar Lois Lane (Amy Adams). Mas de maneira totalmente incompreensível o Azulão (agora ele é azul mesmo!) foi limado do merchandising inicial de Liga da Justiça e incluído depois, mesmo quando todo o público já sabia que ele ressuscitaria – Um erro simplesmente absurdo e que mostra a que pé andam as coisas no estúdio. Por enquanto não existe nenhuma informação oficial para um novo longa do Superman, mas boatos internacionais dão conta de que George Miller (diretor da série Mad Max) pode comandar a produção. Caso isso se concretize pode ser a injeção de competência que um herói tão importante precise para ressurgir da forma imponente que merece. E de preferência sem bigode apagado digitalmente!

 

E aí, vocês tem mais alguma ideia? Compartilhem aí nos comentários!